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sexta-feira, janeiro 20, 2012

Dono do Megaupload tinha armas e carro escrito "Deus"

Foto de 2002 mostra Kim Schmitz (de boné), também conhecido por Dotcom, chegando em Munique, na Alemanha, país em que nasceu
As ações que culminaram no fechamento do site de compartilhamento de conteúdo Megaupload foram bastante duras. Mandados de busca foram executados em outros oito países além da Nova Zelândia à pedido do FBI, polícia federal americana. De acordo com o detetive inspetor Grant Wormald, na Nova Zelândia, a polícia se deparou com um forte esquema de segurança segundo informações do site da região 3 News.

Além de um guarda-costas, a polícia encontrou pela frente duas espingardas. "Não foi o caso de bater na porta", disse ele. Uma equipe de mais de 70 agentes neozelandeses inspecionou nesta sexta-feira a mansão de US$ 30 milhões onde Schmitz morava em Auckland com sua família e outros nove imóveis na mesma cidade.

Em uma de suas propriedades, a mansão milionária Chrisco, foram encontrados US$ 10 milhões - incluindo títulos do governo da Nova Zelândia -, obras de artes e carros avaliados em US$ 6 milhões. Um Maserati 2010, um Lamborghini e um Rolls Royce Phantom 2008 com uma placa onde se lê "Deus" foram encontrados. Outros 15 carros da marca Mercedes Benz trazem placas em que se lê "máfia", "hacker", "culpado" de acordo com o site neozelandês. Schmitz, apaixonado por corridas de carros e mulheres, além dos computadores, gostava de alardear que era um dos dez homens mais ricos da Nova Zelândia, segundo a imprensa local.

Kim Schmitz, mais conhecido por Dotcom, fundador do Megaupload, e os outros três envolvidos que foram presos na operação, Finn Batato e Mathias Ortmann, assim como o holandês Bram van der Kolk, tiveram a prisão preventiva decretada nesta sexta-feira. Na segunda-feira eles retornam ao tribunal neozelandês para decidir o pedido de liberdade mediante o pagamento de fiança, segundo ditou o juiz David McNaughton, dos tribunais de North Shoreou, ou uma possível extradição.

Schmitz e Ortmann fundaram a Megaupload. Ortmann desempenhava o cargo de diretor, Batato dirigia a unidade de marketing e o holandês era supervisor de programação. O alemão Sven Echternach, de 39 anos, chefe de desenvolvimento de negócios, o eslovaco Julius Bencko, de 35, desenhista, e o estoniano Andrus Nomm, de 32, responsável da divisão de software, estariam em paradeiro desconhecido e procurados pelo FBI.

Wormald disse que Schmitz, de 37 anos, e Van der Kolk, de 29, têm permissão de residência na Nova Zelândia, enquanto Ortmann, de 39, e Batato, de 38, figuram na Imigração como "visitantes". Segundo o site 3 News, outros quatro suspeitos foram presos na manhã desta sexta-feira e três permanecem foragidos em outros países.
Entenda o caso

As autoridades dos EUA, incluindo o FBI (polícia federal americana) tiraram o Megaupload do ar e outros 18 sites afiliados nessa quinta-feira por considerar que o site faz parte de "uma organização delitiva responsável por uma enorme rede de pirataria virtual mundial" que causou mais de US$ 500 milhões em perdas ao transgredir os direitos de propriedade intelectual de companhias.

As autoridades americanas consideram que por meio do Megaupload, que conta com 150 milhões de usuários registrados, e de outras páginas associadas ingressaram cerca de US$ 175 milhões. A Justiça americana confiscou US$ 50 milhões de dólares das contas da empresa com sede em Hong Kong.
Megaupload Ltd., e outra empresa vinculada ao caso, a Vestor Ltd, foram indiciadas pela câmara de acusações do estado da Virgínia (leste) por violação aos direitos autorais e também por tentativas de extorsão e lavagem de dinheiro, infrações penalizadas com 20 anos de prisão.

A polícia neozelandesa informou que confiscou dos detidos e da empresa bens avaliados em US$ 4,8 milhões, além de US$ 8 milhões depositados em contas abertas em diversos bancos da Nova Zelândia. No entanto, as autoridades do país não devem apresentar acusações formais contra o Megaupload, apesar de considerar que a empresa também infringiu as leis sobre propriedade intelectual deste país.

Em resposta ao fechamento do Megaupload, o grupo de hackers Anonymous bloqueou temporariamente o site do Departamento de Justiça e o da produtora Universal Music, entre outros na noite de quinta-feira. De acordo com os hackers, foi o maior ataque já promovido pelo grupo, com mais de 5 mil pessoas utilizando a ferramenta de ataque.

O anúncio do fechamento do Megaupload ocorre em meio a uma polêmica nos Estados Unidos sobre uma proposta de lei antipirataria, o Sopa, que corre na Câmara dos Representante, e o Pipa, que é debatido no Senado, contra as quais se manifestou, entre muitos outros, o site Wikipédia, interrompendo seu acesso na quarta-feira e o Google mascarando seu logo. O protesto de quarta-feira foi chamado de apagão ou blecaute pelos manifestantes.

Com informações da EFE e da AFP.

Hackers do Anonymous derrubam sites em 'Operação Megaupload'

A página do FBI, polícia federal norte-americana responsável pelo fechamento do site de compartilhamento de arquivos Megaupload foi um dos que foi "derrubado" pelos hackers ligados ao grupo Anonymous

No início da noite desta quinta-feira, o grupo hacker Anonymous anunciou pelo Twitter, após o fechamento do site Megaupload, que os Estados Unidos deveriam "esperá-los". Nas horas subsequentes, os hackers divulgaram em seu perfil @anonps diversos de seus feitos, conhecidos por "Tango Down". Até o fim desta quinta-feira, o Anonymous retirou do ar os sites da Universal Music, do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, da Motion Picture Association of America (MPAA), do FBI, da associação de chefes de Polícia do estado de Utah e até o site de registro de copyrights. "Pegue uma pipoca... Será uma longa noite divertida", publicou o grupo em sua conta.

Chamada de "Operação Represália" pelos hackers, também identificada por #OpMegaupload no Twitter, o ataque seria o maior já realizado pelo Anonymous, com mais de 5 mil pessoas - 5.365 por volta das 21h30 - usando o programa que executa os ataques de negação de serviço (DDoS, na sigla em inglês), conhecido por LOIC. Até a meia-noite, estavam fora do ar os sites http://www.justice.gov/,  http://riaa.org/, http://www.fbi.gov/ e universalmusic.com, entre outros que caíram, mas que voltaram a funcionar.

O fechamento da página de downloads aconteceu nesta quinta-feira pelo FBI (polícia federal americana), após uma investigação de dois anos que resultou na prisão de quatro pessoas na Nova Zelândia pelo suposto crime de pirataria virtual.

O grupo foi acusado de se envolver em um esquema que tirou das mãos de detentores de direitos autorais em torno de US$ 500 milhões e gerou mais de US$ 175 milhões em rendimentos criminosos, de acordo com a acusação revelada nesta quinta-feira. De acordo com o Anonymous, em seu perfil, a polícia norte-americana teria ainda "roubado" os arquivos do Megaupload.

O FBI afirmou que a operação encerrada nesta quinta não tem conexão com o projeto de lei antipirataria promovido pelo Congresso dos Estados Unidos e que provocou o "blecaute" na quarta-feira de várias páginas em sinal de protesto.
Com informações da EFE.

Ataques movimentam o Twitter

Os sucessivos ataques do Anonymous aos sites relacionados ao fechamento do Megaupload movimentou o Twitter na noite desta quinta-feira. Internautas de todo o mundo, do Brasil inclusive, manifestaram seu apoio ao grupo com vários termos. Muitos deles, como #Anonymous e Megaupload foram parar nos Trending Topics do País, ranking de assuntos mais comentados no momento.
Acompanhe em tempo real a repercussão do ataque:
#Anonymous

O Megaupload saiu do ar, o que aconteceu?


PROCESSO, QUE CULMINOU NA RETIRADA DO AR DO MAIOR SITE DE COMPARTILHAMENTO DE ARQUIVOS, INCLUI LAVAGEM DE DINHEIRO E FAVORECIMENTO A ATIVIDADES TERRORISTAS.

O Megaupload foi desativado no início da noite de hoje, 19 de janeiro, e claro, o fato já roda toda a internet com uma repercussão gigantesca. O processo da investigação do governo dos Estados Unidos, iniciada há dois anos, foi divulgado na tarde de hoje e pode culminar na condenação de seus proprietários. Quatro dos sete responsáveis já foram detidos pela polícia. O fundador, Kim Schmitz, é um deles.

A empresa gerou um lucro de 175 milhões, divididos entre taxas para assinaturas de seus usuários e publicidade, o que causou um dano de 500 milhões para os detentores dos direitos de seus respectivos produtos. As acusações contra o grupo vão de violação de direitos autorais a lavagem de dinheiro. Um dos pontos do processo, já disponível online, é a formação de quadrilha e favorecimento a atividades terroristas.
Também, de acordo com as acusações, a Megaupload falhou ao tentar implantar um programa que apagasse automaticamente arquivos protegidos pelas leis norte-americanas de direitos autorais. Teria faltado boa vontade da empresa.

Em contrapartida, hackers ativistas derrubaram os servidores dos sites do Departamento de Justiça, do Motion Picture Association of America (MPAA), da Recording Industry Association of America (RIAA), do Universal Music Group e tentaram acabar – em vão – com o site da Casa Branca. “Vem mais por aí,” alertou Barrett Brown, porta-voz do grupo responsável pelas invasões.

As acusações contra o Megaupload tiveram uma enorme repercussão no fim do ano passado, quando Kanye West, Chris Brown, Alicia Keys, will.i.am. e inúmeros artistas gravaram um vídeo promovendo o site. “Eu uso o Megaupload,” diziam boa parte deles enquanto um jingle grudento tocava ao fundo. O produtor e líder do grupo Black Eyed Peas, will.i.am, foi o primeiro do grupo a pular fora do barco pedindo para que o vídeo promocional fosse apagado.

A Universal Music, que atua ativamente em 28,7% na indústria fonográfica, foi a única gravadora a bater de frente com o site de compartilhamento – o que culminou na retirada do vídeo do YouTube e um bate-boca entre as duas empresas.

A notícia causou ainda mais repercussão por ter sido divulgada um dia após o grande movimento contra o SOPA/PIPA. É importante frisar que a desativação do Megaupload não tem nada relacionado com os projetos de lei antipirataria, é tudo uma questão de coincidência. Nada além disso.